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Direitos 2


Hoje me dou o direito
de arrancar o punhal do meu peito,
de colocar a lápide e a flor
no túmulo do meu sentimento.

O direito de jogar a pedra que me fere,
de ferir aquele que me expele de cuspir
na tua face o sangue que me escorre pela pele.

Hoje eu me dou todos os direitos
de sair da jaula,
de sair do poço,
do porão e do esgoto,
vomitar minhas palavras,
falar sobre o desgosto.

Eu me dou o direito de
amar este nojento, de escrever
o que penso...
de fincar minha lança,
de perder o respeito.

Eu tenho todo o direito!
de gritar feito louca,
de ficar até roxa, matar
o inseto que rodeia minha sopa

Hoje,
eu tenho o direito de
sair fora de órbita...
deixar de ser espantalho,
comer da minha própria horta.

Rosnar feito lobo,
cair no abismo,
arrebentar-me toda,
engolir um sapo,
sujar minha roupa.

Dou-me todo o direito de
levar minha trouxa,
não lavar a louça,
andar descalça,
fugir da concha,
despentear os cabelos...
ficar louca.

Leni Martins

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